Humanos direitos
MarÃlia Alves Cunha“Nem tudo, porém, são flores, lá na China e aqui. O estado comunista tira a liberdade até na Internet – basta ver a briga do Google para manter o sigilo dos emails daquela comunidade. Somos o maior consumidor mundial de Rivotril – um ansiolÃtico barato – o que não acontece em outros paÃses e dá pistas sobre um sério sofrimento psÃquico da população, batendo de frente com outras pesquisas que nos mostram como somos um povo otimista e feliz”.
Este trecho extraÃdo de excelente texto do Prof. José Carlos Nunes Barreto inspirou-me a refletir sobre este nosso paÃs e o grande destaque que se tem dado ao desenvolvimento econômico, à realização de grandes obras, mesmo ao atropelo da ética e do controle institucional, sem contar o aparato midiático com que a nossa terra é mostrada ao mundo. E como estamos nós, a população deste paÃs? Não serei eu a responder. Os fatos e acontecimentos são a melhor resposta.
Os noticiários estão coalhados de notÃcias estarrecedoras. Sensacionalismo? Não! É a realidade com a qual nos deparamos, frente a qual nos envolve a preocupação, contra a qual é difÃcil lutar. A Imprensa cumpre o seu papel informador, gostem ou não aqueles para quem as ameaças e a sordidez são assuntos de outro mundo. E conhecer a realidade é preciso. Negá-la é negar também a necessidade e possibilidade de transformação.
Temos a “lei Maria da Penha”. Maravilha! Talvez nenhum outro paÃs tenha lei de maior qualidade ou quem sabe, nem precise dela... As nossas mulheres, porém, ao arrepio da lei, são a cada dia mais violentadas, mais feridas, mais assassinadas, mais humilhadas. São muitos os pedidos de socorro sem eco, sem resposta.
Exibimos um Estatuto da Criança e do Adolescente. Grandes objetivos, nobres finalidades. Apenas no papel. Crianças recém nascidas são jogadas fora, como se jogam bonecas velhas. Crianças têm sido torturadas, mortas, seviciadas de uma forma tal, que às vezes pensamos que o mundo está perdendo toda a noção do bem. A pedofilia e a prostituição infantil crescem às escâncaras sem que uma solução apareça. Vidas infantis são jogadas para sempre na vala da infelicidade, da desesperança e da dor. A violência prolifera nas escolas, no trânsito, permeia nossas vidas. Temos medo ao sair de casa, temos medo ao voltar. Trancamos nossas crianças, trancamos nossas casas, trancamos inclusive o coração, negando muitas vezes ajuda quando solicitados. Medo, puro medo. Casos de extrema violência e agressividade têm sido reportados pelo uso de drogas. Quais as medidas tomadas a respeito?
O assunto do momento é o Plano nacional de Direitos Humanos, que privilegia o Estado forte na economia, no controle dos meios de comunicação e até na limitação dos poderes do judiciário, levantando vários focos de descontentamento e com ranço de autoritarismo.
Por que não discutirmos um Plano Nacional de Humanos Direitos, que fortaleça nossas instituições, que proteja os cidadãos e as crianças (inclusive as que estão por nascer), que privilegie a educação, que valorize a vida e a dignidade da pessoa humana, que reflita o que há de melhor e mais sagrado na nossa Constituição Federal? Aà sim, acredito, estarÃamos bem mais perto do que se chama FELICIDADE.

Minha amiga, realmente a lei não molda caráter. Quanto ao consumo de rivotril quero adiantar que já pulei tal fase e consumo CarbolÃtio.
ResponderExcluirMarÃlia, para quem não sabe, esse Plano de Direitos Humanos do Governo Federal, assinado por Lula, em dezembro passado, é um decreto com 73 páginas propondo a criação de 27 leis. Seus autores afirmam que a participação social na elaboração do programa ocorreu por meio de conferências realizadas em todos os Estados durante o ano de 2008 e envolveu a participação de 14 mil pessoas. Nesse texto estão previstas a criação de mais de 10 mil instâncias burocráticas como conselhos, ouvidorias e comitês sobre os mais variados temas. O programa prevê ainda mais de 20 campanhas publicitárias nacionais sobre temas como direitos de crianças e adolescentes e direito ao voto. As mudanças na legislação propostas no programa, no entanto, terão ainda de ser submetidas ao Congresso Nacional, onde como você sabe, podem sofrer os ajustes sugeridos, mas até agora a reação mais forte esteve dentro do próprio Governo com a insatisfação dos militares. Pela sociedade as mais fortes reações foram contra o controle dos meios de comunicação, além da Igreja católica e ruralistas. Um grupo de bispos, padres e católicos ligados ao movimento pró-vida da Igreja Católica são contrários ao apoio do governo ao projeto de lei que descriminaliza o aborto, a mecanismos para impedir a ostentação de sÃmbolos religiosos em estabelecimentos públicos, à união civil entre pessoas do mesmo sexo, e ao direito de adoção por casais homossexuais. Pelo tempo que se prevê para o desfecho e implementação desse assunto podemos concluir que a população deve por mais tempo continuar a ingerir remédios para ansiedade, transtorno bipolar, etc. Mas creio que a proposta de dotar o projeto de feições mais humanistas é perfeitamente possÃvel.
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