Há 40 anos!
Inocêncio Nóbrega (*)
inocnf@gmail.com
Antonio Oliveira Salazar, desde 1926 presidia uma ditadura de ferro em Portugal e suas possessões na África, sob mira de suas Forças Armadas. Exagerava-se no protecionismo aos negócios e empresas lusas, ali instaladas, contra uma população nativa sem perspectivas de futuro, de altas taxas de analfabetismo. Sentindo-se frustrada, passou a questionar essa forma de gerência estrangeira, a ter contornos de rebeldia militar, com a criação, pelo revolucionário Amilcar Cabral, do Partido Africano de Independência, para atender a todos africanos colonizados. Mais tarde, URSS, China Popular e Cuba resolveram intervir na luta libertária, fornecendo armamentos e instrutores à Frelimo, uma frente de libertação, composta por grupos nacionalistas, civis e guerrilheiros.
Na década de 70 as ex-colônias portuguesas tiveram uma atividade histórica das mais acentuadas, precedidas de muitos combates. Todavia, a Revolução dos Cravos, de 1974, ao derrubar o ideário salazarista, propôs um cessar fogo, resultando em negociadas independências. A 25 de junho último Moçambique comemorou, festivamente, seu dia maior, acendendo-se a “Chama da Unidade Nacional” e colocação de flores no monumento a seus heróis, os quais farejavam pegadas de conjurados brasileiros, que ali cumpriam sentenças de degredo. A 5 de julho seguinte, na capital Praia, contando com a presença de uma delegação de autoridades portuguesas, Cabo Verde registrou sua data magna, com várias atrações cívicas e culturais. Para novembro, onze, Angola já se prepara, anunciando homenagens à altura dos anseios de libertação do passado, sobretudo pensando no bem-estar da Nação e do seu Continente.
Onde tudo era regozijo de um povo tornado livre o Brasil, tempos idos colônia da comunidade lusa, há quarenta anos padecia de feroz ditadura. O jornalista Sebastião Nery foi processado por vaticinar que o primeiro-ministro Marcelo Caetano, sucessor de Salazar em 1968, jamais abdicaria de seu território africano. Não só, o “Jornal de Brasília”, acusado por supostas “referências caluniosas” a órgãos de segurança. Em outubro, Vladimir Herzog era conduzido a dependências do DOI-CODI, do II Exército, sendo torturado, morrendo em função dessa barbárie.
Por três séculos comungamos da mesma ansiedade de autonomia. Voltamos a estar juntos, porém submetidos a novo sistema colonial, o econômico. Tanto lá como em países do Continente americano, nossas terras e riquezas vêm sendo entregues aos abutres internacionais, em parceria com governos locais. Camponeses de Moçambique já denunciam empresários de fora, que no ramo da produção alimentar estão assumindo todas as fases produtivas e distributivas, enviando seus lucros para exterior, como antes fizera Tiradentes. É o que acontece com o minério brasileiro, nas mãos da Vale do Rio Doce. Portanto, é um falso desenvolvimento que se constrói.
(*) Inocêncio Nóbrega Filho é jornalista e escritor
inocnf@gmail.com
Antonio Oliveira Salazar, desde 1926 presidia uma ditadura de ferro em Portugal e suas possessões na África, sob mira de suas Forças Armadas. Exagerava-se no protecionismo aos negócios e empresas lusas, ali instaladas, contra uma população nativa sem perspectivas de futuro, de altas taxas de analfabetismo. Sentindo-se frustrada, passou a questionar essa forma de gerência estrangeira, a ter contornos de rebeldia militar, com a criação, pelo revolucionário Amilcar Cabral, do Partido Africano de Independência, para atender a todos africanos colonizados. Mais tarde, URSS, China Popular e Cuba resolveram intervir na luta libertária, fornecendo armamentos e instrutores à Frelimo, uma frente de libertação, composta por grupos nacionalistas, civis e guerrilheiros.
Na década de 70 as ex-colônias portuguesas tiveram uma atividade histórica das mais acentuadas, precedidas de muitos combates. Todavia, a Revolução dos Cravos, de 1974, ao derrubar o ideário salazarista, propôs um cessar fogo, resultando em negociadas independências. A 25 de junho último Moçambique comemorou, festivamente, seu dia maior, acendendo-se a “Chama da Unidade Nacional” e colocação de flores no monumento a seus heróis, os quais farejavam pegadas de conjurados brasileiros, que ali cumpriam sentenças de degredo. A 5 de julho seguinte, na capital Praia, contando com a presença de uma delegação de autoridades portuguesas, Cabo Verde registrou sua data magna, com várias atrações cívicas e culturais. Para novembro, onze, Angola já se prepara, anunciando homenagens à altura dos anseios de libertação do passado, sobretudo pensando no bem-estar da Nação e do seu Continente.
Onde tudo era regozijo de um povo tornado livre o Brasil, tempos idos colônia da comunidade lusa, há quarenta anos padecia de feroz ditadura. O jornalista Sebastião Nery foi processado por vaticinar que o primeiro-ministro Marcelo Caetano, sucessor de Salazar em 1968, jamais abdicaria de seu território africano. Não só, o “Jornal de Brasília”, acusado por supostas “referências caluniosas” a órgãos de segurança. Em outubro, Vladimir Herzog era conduzido a dependências do DOI-CODI, do II Exército, sendo torturado, morrendo em função dessa barbárie.
Por três séculos comungamos da mesma ansiedade de autonomia. Voltamos a estar juntos, porém submetidos a novo sistema colonial, o econômico. Tanto lá como em países do Continente americano, nossas terras e riquezas vêm sendo entregues aos abutres internacionais, em parceria com governos locais. Camponeses de Moçambique já denunciam empresários de fora, que no ramo da produção alimentar estão assumindo todas as fases produtivas e distributivas, enviando seus lucros para exterior, como antes fizera Tiradentes. É o que acontece com o minério brasileiro, nas mãos da Vale do Rio Doce. Portanto, é um falso desenvolvimento que se constrói.
(*) Inocêncio Nóbrega Filho é jornalista e escritor


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